2 de abr de 2007

300 – O Épico dos Tempos Modernos




Pois bem leitores, começo minha jornada neste blog comentando a primeira grande estréia do ano, 300 (300, EUA 2007, de Zack Snyder baseada na HQ de Frank Miller). Me desejem sorte.

E como começar? Que tal um pouco de história? Quem são esses tais 300 que hoje estão tão famosos? São os melhores Soldados da cidade Grega de Esparta, que faziam parte da guarda pessoal do rei Leônidas. Foram eles que ficaram “famosos” na antiguidade ao desafiarem um exercito vindo de todos os cantos do mundo. Foi o seu sacrifício que motivou toda a Grécia a ir guerrear contra os Persas e consolidar sua cultura no mundo que ainda hoje tanto nos influencia.
E como toda boa tragédia Grega, fatos de superação e força de vontade não faltam no episódio dos 300, batalha travada no desfiladeiro de Termópilas. Não é daí que o filme parte, mas sim o quadrinho de Frank Miller. Baseado nesse episódio ele criou uma bela HQ, não somente pela história mas também pelos desenhos, pela arte final. Com muito sangue e imagens cruas ele passa uma nítida noção daquele embate.
Agora sim vamos falar do filme. E é da HQ de Miller que ele parte, se baseando nos desenhos, usando as imagens como storyboards e os textos como roteiro. E o resultado antes de tudo é muito belo e empolgante. Se a indústria tinha medo de apostar nessa nova ferramenta que era o Digital agora ela pode dar mais que valor. Feito com um orçamento de “apenas” $ 65 Milhões de dólares (em aspas porque essa quantia é quase irrisória para se fazer um épico mas para nós mortais...), 300 é uma ballet de belas imagens, de slows e fasts motions mais do que bem coreografados.
Tudo começou com o fraco “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”. Valeu mais pelo esforço de se fazer tudo em digital do que pelo filme. Ai depois veio “Sin City” que saiu-se mais do que bem no digital. Tudo muito bem feito e fiel aos quadrinhos que por acaso também é de Miller. Mas “Sin City” carece de cor, carece de saturação de imagens. 300 tem tudo isso e muito mais.
É tudo muito bem detalhado, tudo muito bem editado, tudo muito bem planejado. Da escolha dos atores a granulação da fotografia. E vamos falar logo dos atores. Gerad Buttler se encaixou muito bem como Leônidas. Faz uma cara de mal como só ele sabe. Em uma cena chega a ser assustador notar a sua mudança de expressão facial. Sair do “estou te explicando porque você não vai nos dominar” ao “eu vou te matar agora filha da p*-#” em questão de milésimos de segundos comprova isso.
Aos 300 restam apenas alguns destaques. Alguns soldados que se sobressaem durante a projeção, Dilios faz suas narrações e dá emoção ao filme, porém algumas narrações podiam ter sido cortadas para dar mais agilidade ao filme. Rodrigo Santoro se bem como Xérxes. Faz bem seus trejeitos de “louco-megalomaníaco-dono-do-mundo-diplomata”. E quando lhe exigido mudança de postura no fim do filme faz muito bem. Uma cara de assustado e surpreso.
Mas 300 não é um filme de atores, quer dizer, é sim, mas o destaque fica mesmo pela qualidade das imagens, o que paga mesmo o ingresso é a empolgação criada durante o filme. São as lutas criadas a partir de um desenho chave da HQ. Os efeitos especiais são belíssimos. Realmente têm utilidade e não estão lá só pra encher o filme. Compensa o roteiro que não é lá uma obra-prima.
Nesse filme, imagem é mais do que tudo. Snyder sabe disso. Vindo da publicidade ele sabe que uma imagem vale por milhões de dólares. Ponto pra Warnner que foi corajosa em investir nesse projeto que com certeza não é um filme família. É um filme de adultos, apesar de ser fantasia é um filme de adultos. Sangue não falta, corpos mutilados muito menos. Nudez feminina também. O que tinha tudo pra ser um bom filme se sai como ótimo entretenimento. Mas como já disse, pelas imagens e não pelo roteiro.

Todo ser humano carece de histórias de superação e força de vontade, histórias de sacrifícios que nos inspirem no dia-a-dia. Mesmo Esparta não sendo nenhuma flor que se cheire e o filme ter omitido diversos fatos históricos e reais sobre a cidade, tais como escravidão, o filme monta uma boa história de sacrifício em nome da liberdade. Mas não nos cabe aqui julgar isso. Como filme essa licença poética funciona.

Chamei de épico dos tempos modernos pela roupagem e edição. Por ter saído do tradicional. E só o fato de terem tentando valeu a pena. De 0 a 10 dou 8.5!

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